domingo, 17 de julho de 2011
PROFESSOR WAGNER CABRAL
Senador José Sarney chama professor da UFMA de desequilibrado
Declaração é feita após apresentação de números da miséria e da pobreza no MA
“Wagner Cabral é um dos melhores professores da UFMA, é um pesquisador que se dedica a estudar a história do Maranhão. Como é da índole de qualquer educador honesto, Wagner Cabral tem revelado para o Brasil os indicadores sociais negativos do Maranhão depois de 57 anos de domínio do Sr. José Saddam Mubarak Kadaf Sarney”, palavras proferidas pelo parlamentar em defesa do professor.
Na matéria, o pesquisador aponta três motivos para o atraso no Estado do Maranhão. O primeiro é a distribuição de terras pelo clã Sarney nos últimos 60 anos a empresas privadas. A consequência foi a formação de latifúndios improdutivos, que, utilizados para atividades altamente subsidiadas, como a exploração de madeira e pecuária, resultaram em quase nenhum retorno financeiro para a economia maranhense.
O esvaziamento dos cofres do Estado para levar indústrias que demandavam pouca mão de obra ao Maranhão colocou metade da população economicamente ativa hoje depende da pequena agricultura. A terceira contribuição de Sarney para a miséria do Maranhão é a corrupção desenfreada. "No Maranhão, ela é endêmica", diz Wagner Cabral o qual destaca que a República nunca chegou ao Maranhão.Para o Deputado Dutra, Sarney não tem moral política muito menos intelectual para questionar o professor Wagner. A agressão não é apenas ao pesquisador, mas a toda Universidade Federal do Maranhão.
COMENTÁRIO DO BLOG:
SENADOR, FALAR A VERDADE NÃO É FALTA DE EQUILÍBRIO. SÓ DESEJO QUE MAIS PESSOAS NESSE ESTADO DEMONSTREM COMO O SENHOR CONTRIBUIU PARA O MARANHÃO TER OS INDICADORES SOCIAIS NEGATIVOS DEPOIS DE 57 ANOS DE DOMÍNIO DE SUA FAMÍLIA. PARABÉNS AO PROFESSOR WAGNER CABRAL POR SUA PESQUISA E AO DEPUTADO DUTRA PELA DEFESA AO PROFESSOR.
domingo, 3 de julho de 2011
IMPERATRIZ MERECE OUTDOORS ASSIM
Estas fotos foram encaminhadas por um leitor imperatrizense, que preferimos mantê-lo no anonimato, mas profundamente indignado com os desmandos que vem ocorrendo no executivo e legislativo local. As ilustrações retratam a triste realidade na cidade de Jaraguá do Sul-SC, contudo outdoors assim encaixariam-se com uma luva na cidade de Imperatriz, ficando a dica para os cidadãos igualmente indignados.
Postado por WikiLeaks ITZ.
Um hacker que abala a república
Polícia Federal tenta enquadrar jovem da periferia de Brasília que invadiu os computadores da presidente, copiou 25 mil e-mails do ex-ministro José Dirceu e tentou vender as informações sigilosas para a oposição
Douglas (acima) teria mostrado emails de figurões da República para o
presidente do DEM do DF, Alberto Fraga (abaixo), que manteve o crime sob sigilo
Na sexta-feira 1º, o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, determinou uma missão a ser cumprida rapidamente pela Polícia Federal: apurar detalhes de como agiu e enquadrar criminalmente um hacker que tem deixado figurões da República em estado de alerta e também punir seus eventuais cúmplices. A última vítima das bisbilhotices eletrônicas do rapaz que se identifica como Douglas, diz morar em Taguatinga – cidade satélite de Brasília –, e que nos últimos dias vinha se gabando por ter invadido o computador da presidente Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral do ano passado, é o ex-ministro José Dirceu. Segundo o colunista Guilherme Barros, do portal IG, 25 mil e-mails de Dirceu foram acessados e copiados pelo hacker. O ex-ministro descobriu que fora alvo da invasão na segunda-feira 27. “Eram 9 horas quando liguei o computador e o acesso ao correio eletrônico estava bloqueado”, disse o ex-ministro. “Liguei para o UOL (provedor) e soube que alguém havia usado meu CPF, meu RG e meu endereço e com isso alterou a senha e passou a ter acesso a todas as minhas mensagens”. Segundo Dirceu, os técnicos do provedor lhe informaram que a invasão ocorreu às 2h09 da segunda-feira 27 e durou cerca de sete horas. “Quando solicitei o número do telefone e o IP do computador de quem invadiu o sistema, me disseram que essa informação só pode ser fornecida com autorização judicial”, reclama o ex-ministro, que já escalou um grupo de advogados para tratar do caso. Na sexta-feira 1º, a direção do UOL informou que está fazendo investigações internas e que não iria se manifestar. “Ainda bem que em meus e-mails não há nada que não possa ser público”, afirmou o ex-ministro, ainda sem saber que essa não fora a primeira invasão feita em seus computadores.
VÍTIMAS
A presidente Dilma e o ex-ministro Dirceu:
computadores invadidos e correspondência violada
Já se sabe que o hacker procurou o ex-deputado Alberto Fraga, presidente do DEM do Distrito Federal, para vender sua muamba por R$ 300 mil. Antes, ele teria procurado líderes do PSDB e oferecido o material por um valor superior. O relato que Fraga faz do episódio é uma verdadeira aula de como figuras públicas são capazes de acobertar crimes, quando acreditam que podem se beneficiar deles. Fraga admitiu a ISTOÉ que recebeu e gravou telefonema do hacker no dia 9 de junho. O rapaz dizia ter cópias de e-mails comprometedores de figuras públicas. Qual a reação do líder partidário? Ao contrário do que se poderia esperar de um cidadão de bem, Fraga admite que gostou da história. “Venha até aqui”, respondeu ao rapaz. De fato, no dia 13, se encontrou com o vigarista na sede do Democratas, no Setor Comercial Sul, de Brasília. “Tenho e-mail da presidente Dilma. São uns 600”, disse Douglas, conforme o relato de Fraga. Então, o ex-deputado se empertiga e relata a razão de ter recusado a muamba: faltava-lhe imunidade para o crime. “Se eu tivesse mandato, faria a República tremer”, gaba-se Fraga, que diz ter lido algumas cópias dos e-mails de Dilma. “Mas, sem mandato, não vou entrar nessa canoa”. Mesmo assim, sem proteção assegurada, Fraga torna-se parceiro do crime. Ele contou para ISTOÉ, sem pedir sigilo, que “o mais grave” material do botim do hacker era um email enviado por Dilma para o presidente de um banco privado, que estava prestes a divulgar o resultado de uma pesquisa de opinião às vésperas da eleição. A então candidata, segundo Fraga, teria “evidenciado” que seria interessante se ela aparecesse na frente das pesquisas. “Se isso viesse à tona na época das eleições, seria desastroso para eles”, suspira do líder do DEM.
Além das mensagens da presidente, Fraga admite ter lido 12 e-mails de um total de 2.986 copiados do correio eletrônico de José Dirceu até aquele dia. Hoje ele até se encoraja a dar vazão à chantagem, tornando-se, de certo modo, um cúmplice dela: “Alguns dos e-mails do Zé Dirceu eram dirigidos ao ex-ministro Antônio Palocci e tratavam sobre tráfico de influência, valor de ações da Telebrás e palestras”, diz ele. Depois, sem qualquer resquício de lógica, o ex-deputado procura se diferenciar: “Nós e o PSDB não aceitamos os e-mails porque não fazemos política como os aloprados”. Ao final, porém, Fraga admite que acabou incentivando o crime: “Perguntei se ele tinha documentos recentes e ele respondeu que, se eu quisesse, poderia entrar a qualquer momento no computador da presidente”. A resposta de Fraga ao hacker foi mais um exemplo acabado de dissimulação, segundo seu próprio relato: “No meu gabinete, não!”, exclamou.
A gravação em poder do presidente do DEM do DF é uma prova concreta para que a PF cumpra sua missão. “Vamos abrir inquérito, requisitar essa gravação que já poderia ter sido entregue à PF e enquadrar criminalmente todos os envolvidos”, afirmou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na sexta-feira 1º.
Alan Rodrigues, Lúcio Vaz e Luiza Villaméa
domingo, 26 de junho de 2011
Empréstimos de assessores !!!!!!!.Como assim????
O refúgio de Sérgio Cabral
A casa onde o governador se isolou depois da tragédia foi comprada no período em que tomou empréstimos de assessores
Licenciado por uma semana, Cabral isolou-se em sua casa de R$ 1,5 milhão em Mangaratiba, na Costa Verde fluminense, para descansar. Localizada dentro de um condomínio, a casa é usada como refúgio pelo governador, mas tem sido também uma fonte de aborrecimentos para ele. Há anos Cabral tem sido cobrado a explicar como conseguiu comprá-la com os modestos salários de político.
Documentos obtidos por ÉPOCA mostram que, no período em que adquiriu o imóvel, Cabral recebeu empréstimos de familiares e assessores. Em cinco anos, R$ 474.852,17 entraram em sua conta. Entre 1996 e 1997, quando ainda era deputado estadual, Cabral obteve empréstimos de R$ 54 mil de Aloysio Neves Guedes, seu chefe de gabinete. Guedes recebia R$ 5.400 mensais, dez vezes menos que o valor do empréstimo. Outro financiador foi o assessor Pedro Lino, que ganhava o mesmo que Guedes e emprestou R$ 46 mil. Subchefe de gabinete, Sérgio Castro Oliveira colaborou com R$ 31 mil. Outros R$ 79 mil caíram na conta de Cabral vindos da Araras Empreendimentos, empresa de sua ex-mulher Suzana Neves. O ex-sogro Gastão Lobosque emprestou R$ 264 mil. Em 1998, Cabral tomou emprestados R$ 150 mil da Sociedade Três Orelhas para a compra da casa de Mangaratiba, com a promessa de pagar em 18 meses. A Três Orelhas administra o condomínio (Portobello) onde foi erguido o imóvel.
Cabral não deu detalhes sobre as operações. Qualquer documento referente a esses anos tão remotos já foi descartado, tendo em vista que a prescrição é de cinco anos”, disse sua assessoria. Ele informou, porém, que pagou os empréstimos. Os assessores dos empréstimos são amigos de Cabral e trabalharam em suas campanhas. Aloysio foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado, onde hoje é conselheiro. Ele diz não se lembrar de nada: “Faz muito tempo. É coisa muito pequena para eu recordar”. O mesmo diz Pedro Lino. “Se foi feito, está em meu Imposto de Renda”, afirma. Sérgio Castro não respondeu aos pedidos de entrevista.
A casa onde o governador se isolou depois da tragédia foi comprada no período em que tomou empréstimos de assessores
Licenciado por uma semana, Cabral isolou-se em sua casa de R$ 1,5 milhão em Mangaratiba, na Costa Verde fluminense, para descansar. Localizada dentro de um condomínio, a casa é usada como refúgio pelo governador, mas tem sido também uma fonte de aborrecimentos para ele. Há anos Cabral tem sido cobrado a explicar como conseguiu comprá-la com os modestos salários de político.
Documentos obtidos por ÉPOCA mostram que, no período em que adquiriu o imóvel, Cabral recebeu empréstimos de familiares e assessores. Em cinco anos, R$ 474.852,17 entraram em sua conta. Entre 1996 e 1997, quando ainda era deputado estadual, Cabral obteve empréstimos de R$ 54 mil de Aloysio Neves Guedes, seu chefe de gabinete. Guedes recebia R$ 5.400 mensais, dez vezes menos que o valor do empréstimo. Outro financiador foi o assessor Pedro Lino, que ganhava o mesmo que Guedes e emprestou R$ 46 mil. Subchefe de gabinete, Sérgio Castro Oliveira colaborou com R$ 31 mil. Outros R$ 79 mil caíram na conta de Cabral vindos da Araras Empreendimentos, empresa de sua ex-mulher Suzana Neves. O ex-sogro Gastão Lobosque emprestou R$ 264 mil. Em 1998, Cabral tomou emprestados R$ 150 mil da Sociedade Três Orelhas para a compra da casa de Mangaratiba, com a promessa de pagar em 18 meses. A Três Orelhas administra o condomínio (Portobello) onde foi erguido o imóvel.
Cabral não deu detalhes sobre as operações. Qualquer documento referente a esses anos tão remotos já foi descartado, tendo em vista que a prescrição é de cinco anos”, disse sua assessoria. Ele informou, porém, que pagou os empréstimos. Os assessores dos empréstimos são amigos de Cabral e trabalharam em suas campanhas. Aloysio foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado, onde hoje é conselheiro. Ele diz não se lembrar de nada: “Faz muito tempo. É coisa muito pequena para eu recordar”. O mesmo diz Pedro Lino. “Se foi feito, está em meu Imposto de Renda”, afirma. Sérgio Castro não respondeu aos pedidos de entrevista.
LUXO
O imóvel de Cabral em Mangaratiba, avaliado em R$ 1,5 milhão. O local foi escolhido para descanso, mas é outra fonte de questionamentos para o governador.
O imóvel de Cabral em Mangaratiba, avaliado em R$ 1,5 milhão. O local foi escolhido para descanso, mas é outra fonte de questionamentos para o governador.
NELITO FERNANDES
comentários:
- “Aloysio foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado”. Eis o âmago da questão, a causa basilar da perpetuação da impunidade e da desonestidade cultural do brasileiro. (João Ubaldo, Desonestidade é cultura, http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110626/not_imp737022,0.php). Nossas Cortes são compostas por indicados dos políticos. São suas pessoas de confiança. Como instituições que deveriam punir e servirem de exemplo, têm o papel, na verdade, da manutenção do status quo patrimonialista aos moldes da Coroa Portuguesa. Para esclarecer a tomada do Estado como bem privado pelos plantonistas do poder, em Portugal taxa se chama propina. Juízes e procuradores gerais são indicados por reis para servi-los e não para puni-los. A transformação do império para república foi parcial. Sem exemplo das Cortes e vendo que a maneira material de vencer no Brasil segue este caminho lamoso, sinaliza aos fracos a opção mais fácil de seguir. Enterro da Satiagraha, Castelho de Areia e inexoravelmente o Mensalão são exemplos recentes. Mesmo a mídia não cobra resolução dos casos, apenas a saída do poder, como exemplo, "A Folha não chuta cachorro morto”. Como assim? Sai impune e tudo bem? Você roubou o povo, deixou lhe faltar suas necessidades básicas, mas como saiu, eu mídia te perdôo? Ah, mas é matéria requentada, o roubo já aconteceu há 16 dias e brasileiro, segundo Golbery, leva 15 dias para esquecer o assunto. Prescrição é aqui celere. Abstração moral e religiosa para que? Simples assim."
- JOSE | MG / BELO HORIZONTE
segunda-feira, 20 de junho de 2011
"DAMA DE FERRO” IMPÕE DITADURA NA ÁREA DA SAÚDE EM IMPERATRIZ
Secretária de Saúde de Imperatriz e esposa do prefeito Madeira confirma visão de autoritária e ditadora ao revogar resolução do conselho de Saúde, e nomeia por portaria uma comissão de "organização da conferência de saúde" onde ela é a presidente e outros "assessores", apenas um é conselheiro de Saúde faz parte da dita comissão organizadora, os demais nunca pisaram na plenária do conselho.Além de não resolver os problemas no atendimento da rede pública de saúde, onde temos vários problema devido a incompetência latente da gestão tucana de Sebastião Madeira. Só pra citar um exemplo – de vários -, os servidores do centro odontológico dos Três Poderes estão de braços cruzados devido a falta de medicamento e materiais, o equipamento de raio X há mais de dois meses se encontra quebrado em sem data prevista para o conserto.Devido isso, os funcionários não estão nem agendando para daqui a seis meses, pois não tem esperança de ver o equipamento funcionando novamente.Alheia a tudo isso, a secretária resolve de forma unilateral desconsiderou as atribuições dos atuais membros do conselho de saúde e coloca seus apadrinhado para organizar a conferencia de saúde municipal, após dois anos da ultima conferencia muitos problemas tratados continuaram sem solução. E é estratégico manipular a conferência para mascarar a situação calamitosada área.Do blog de Wilson Leite
domingo, 19 de junho de 2011
Atentado contra a história
Levantando suspeitas não comprovadas de que o Brasil teria cometido erros no passado, os ex-presidentes e hoje senadores José Sarney e Fernando Collor de Mello agridem a democracia e tentam impedir que os brasileiros conheçam o próprio passado.
Lúcio Vaz e Claudio Dantas Sequeira
FRENTE
Collor e Sarney lideram o movimento para manter
alguns documentos sob segredo eternamente
O Brasil está andando na contramão da história. Por sugestão dos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor de Mello (PTB-AL), a presidente Dilma Rousseff decidiu rever o projeto de lei de acesso a informações públicas, admitindo a tese obscurantista de que alguns fatos e documentos merecem sigilo eterno. A atitude agride um princípio capaz de qualificar as democracias. A história de um país é de interesse público e deve ser tratada da forma mais transparente possível, pois pertence a todos os cidadãos. É inaceitável que apenas um determinado grupo de plantão no poder tenha acesso às informações sobre o passado de sua nação. Muito menos que esse grupo decida qual documento deve ou não ser divulgado. Em todo o País historiadores se declararam perplexos com a posição do governo. “É um imenso retrocesso”, afirma José Murilo de Carvalho, membro da Academia Brasileira de Letras. A mudança do projeto de lei evoca um tempo de sombras. No mundo atual, é cada vez maior a pressão para trazer a público o que os governantes tentam esconder. Um bom exemplo veio recentemente dos Estados Unidos, que divulgaram 40 volumes de arquivos secretos da guerra do Vietnã. Quatro décadas atrás, o governo americano processava jornais que vazavam esses documentos.
Os ex-presidentes Collor e Sarney argumentam que a divulgação de informações sigilosas teria impacto prejudicial à diplomacia brasileira, aos serviços de inteligência e à segurança nacional. Fatos históricos sobre a Guerra do Paraguai e a tomada do Estado do Acre foram apresentados como justificativa. Na quinta-feira 16, Collor divulgou uma lista com as mudanças que pretende impor ao projeto que chegou da Câmara. O texto original estabelece o prazo de 25 anos para a manutenção do sigilo de informações ultrassecretas, com a possibilidade de apenas uma prorrogação. Assim, após 50 anos, no máximo, todo e qualquer documento público estaria disponível aos interessados. A regra atual, definida no fim do governo Fernando Henrique, estabelece um prazo de 30 anos, renovável indefinidamente, para os documentos ultrassecretos.
A ideia de Collor é semelhante. Estabelece a renovação contínua para o prazo de 25 anos previstos no texto do projeto de lei da Câmara. Essa iniciativa fez com que toda a discussão sobre a abertura de arquivos, inclusive os da ditadura, voltasse à estaca zero. E o pior é que a medida teve o apoio imediato do governo, que até então defendia o contrário. Depois do impacto negativo, a nova ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, tentou reparar o erro, afirmando que a lei em discussão no Senado não valeria para os documentos da ditadura. Mas, havendo o sigilo eterno, será difícil convencer o Exército a tornar públicos os crimes cometidos em nome do regime militar.
EXEMPLO
Sarney chegou a retirar o impeachment de Collor
da exposição sobre a história do Senado
Questionado por ISTOÉ, o presidente do Senado, José Sarney, alegou que abrir todos os arquivos seria uma espécie de “oficialização do WikiLeaks, em alusão ao vazamento de documentos diplomáticos dos EUA. “Abrir a porta e liberar tudo não pode. Fui presidente (da República) e sei disso”, disse Sarney, que recentemente tentou impedir que o impeachment de Collor figurasse em uma exposição sobre a história do Senado. Para se defender, lembrou que essa era a proposta contida no projeto de lei encaminhado ao Congresso, em 2009, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O Collor me alertou que o projeto do Lula tinha sido todo alterado na Câmara”, afirmou. Collor, que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado, procurou Sarney em maio com um relatório preparado por sua assessoria. Esse dossiê teria sido entregue também ao então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, e a Luiz Sérgio, que ainda ocupava a Secretaria de Relações Institucionais. Há duas semanas, Collor encaminhou o documento à presidente Dilma. “Ela se mostrou sensibilizada e disposta a encontrar a melhor solução”, disse o ex-presidente.
O projeto da Câmara chegou a ser aprovado em duas comissões técnicas do Senado: Comunicações e Direitos Humanos. Até então, a orientação do Palácio do Planalto era para aprovar o projeto que saiu da Câmara, segundo o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Sem conseguir explicar os motivos, Jucá reconheceu que a postura oficial agora é outra. “Precisamos discutir mais”, alegou. A votação do projeto no Senado, portanto, deve ficar para o segundo semestre. O que não encerra o problema. Caso seja modificado, o texto deve retornar à Câmara, onde poderá ser refeito. O presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), antecipou que está preparado para a briga. “O povo tem de conhecer sua história. Vamos recompor o que for modificado”, disse Maia. Caberá, então, à presidente Dilma vetar as modificações, especialmente o polêmico artigo que prevê o prazo de 25 anos para documentos ultrassecretos, com apenas uma prorrogação. Considerando seu passado de luta pela democracia e o discurso pela instauração da Comissão da Verdade e a abertura dos arquivos da ditadura, Dilma cometerá, no mínimo, uma enorme contradição se adotar a tese do sigilo eterno. “Duvido que a presidente Dilma coloque a digital dela nisso”, aposta o senador Walter Pinheiro (PT-BA), que relatou o projeto na Comissão de Comunicação do Senado.
Em conversas reservadas com senadores, Collor e Sarney insistem em defender a versão de que há documentos comprometedores a respeito da anexação do Acre, antigo território da Bolívia, e sobre a Guerra do Paraguai. A lei atual determina que questões que afetem a soberania, a integridade territorial, além de planos militares, econômicos e projetos de pesquisa científica, devem levar a chancela de ultrassecretos. De acordo com o Decreto 4.553/2002, a classificação desses documentos é de competência do presidente, do vice, dos ministros de Estado e dos comandantes militares, além de chefes de missões diplomáticas. Talvez Collor e Sarney não lembrem, ou não queiram lembrar, que no início da década de 1990 o Itamaraty criou uma seleta comissão de acadêmicos com a missão de analisar seus arquivos históricos, inclusive os da Guerra do Paraguai. Ao término do trabalho, o grupo de especialistas concluiu que não havia, nos milhares de páginas emboloradas, nenhuma informação que pudesse criar suscetibilidades ou reacender disputas bilaterais. Ato contínuo, o chanceler Celso Lafer autorizou a abertura do arquivo para consulta. “Foi um gesto de grandeza compatível com qualquer nação realmente democrática”, afirma o imortal José Murilo de Carvalho. “Examinamos tudo e vimos que não havia qualquer coisa que desaconselhasse a abertura dos documentos”, diz.
Autor de uma competente biografia de dom Pedro II, ele lembra que as questões sobre os limites do País também passaram pelo crivo de um embaixador especializado em negociação de fronteiras. O diplomata também não fez restrições, reiterando que todos os acordos fechados pelo Barão do Rio Branco são atos jurídicos perfeitos e não estão sujeitos a contestações. Francisco Doratioto, que é autor do livro mais consistente sobre a Guerra do Paraguai já publicado, teve acesso aos arquivos revisados por Murilo de Carvalho e acrescenta que boa parte das informações já era de domínio público no fim do século XIX. “De inédito havia umas 20 cartas do Solano López sobre o estado de saúde de suas tropas”, afirma. Doratioto pondera sobre a possibilidade de existirem detalhes não conhecidos sobre a anexação do Acre, mas também acha difícil que novas informações possam comprometer a segurança nacional. “Isso é assunto pacificado. Só serve para atiçar alguns grupos no Paraguai e na Bolívia que usam isso para pressionar o governo brasileiro”, afirma.
O embaixador Celso Lafer concorda e alerta para a postura irresponsável dos ex-presidentes Collor e Sarney. “Esse tipo de argumento só serve para levantar suspeitas sem fundamento e cria preocupações desnecessárias para nossos vizinhos”, disse à ISTOÉ. Lafer, que em sua gestão aprovou duas portarias regulamentando a classificação de documentos, acha que o sigilo eterno é inconstitucional e tende a manchar a imagem do Brasil no cenário internacional. “O que caracteriza uma democracia é o exercício público do poder comum. A nossa Constituição estabelece a publicidade dos atos como regra. O segredo é exceção”, afirma. Em sua gestão à frente do Itamaraty, o embaixador lembra que era responsável por determinar o nível de classificação de sigilo dos ofícios, relatórios e memorandos por ele assinados. Mesmo assim, garante não ter classificado um só documento de ultrassecreto. “Tudo que escrevi em meu trabalho, até as coisas mais sensíveis, poderiam ser divulgadas sem o menor problema dentro de dez ou 15 anos”, afirma. “Nenhum documento, por mais sensível que seja, pode ficar indefinidamente guardado nas arcas do Estado.” É o que se espera.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
RENDAS EXTRAS DOS VEREADORES, MITO OU UMA VERDADE DA CÂMARA MUNICIPAL?
Quem já foi e é vereador sabe como funciona o esquema para gerar rendas extras auferidas pelos vereadores daquela casa, não estou falando dos “mensalinhos” que as administrações municipais também repassam aos legisladores mirins para se tornarem defensores até a alma das gestões, ou simplesmente não atrapalhar aos interesses do executivo, nem de funcionários fantasmas que não trabalham, mas que tem contracheques no fim do mês.O esquema é antigo, e passou a ser quase que uma obrigação pra quem é diplomado com vereador - se um não entrar no esquema prejudicam os demais -. O dito salário extra sai do racha de contribuições de INSS que são recolhidos de funcionários e IRRF (Imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos do trabalho) dos vereadores que não são repassados à previdência nem aos cofres da prefeitura municipal, respectivamente. Somando-se a esses valores há também aqueles funcionários não-fantasmas que assinam um valor no contracheque, mas que na prática o que cai na sua conta bancária é um misero salário mínimo.
O esquema não é perfeito, são muito raros os casos que o funcionário recebe o valor em sua conta corrente e repassa a parte para o vereador no qual ele é vinculado, então para garantir o recebimento do valor os pagamentos geralmente são em cheque, que depois de descontado pelo vereador é repassado o valor do funcionário, com tudo “legalizado”, contracheque assinado pelo funcionário, folha de pagamento e tudo que a justiça quer.
Esse crime é de conhecimento há muito tempo pelo ministério público que nunca se viu uma ação do mesmo, até lá veremos muitos trabalhadores servindo de laranja para manter o esquema funcionando. Porque seria que a vaga de vereador é tão disputada por quem já sentou naquelas cadeiras? Pelo prazer de defender a população é que não é... É muito dinheiro público em jogo.
Postado por Wilson Leite
domingo, 12 de junho de 2011
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